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EUA fora do TPP

Em entrevista ao Guia Marítimo, professora da FECAP aponta os impactos no Brasil

EUA fora do TPP

Após oito anos do governo de Barack Obama, marcado por políticas econômicas voltadas para a recuperação norte-americana da crise de 2008, o presidente eleito Donald Trump que assumiu a Casa Branca esse mês já faz jus as propostas polêmicas que terão impactos na economia de outros países, inclusive no Brasil.

Essa semana Trump assinou a ordem executiva para iniciar a saída do país do Tratado de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) – em seu lugar, ele pretende fazer acordos bilaterais com alguns dos países para levar as indústrias aos Estados Unidos e, assim, gerar mais empregos.

Em entrevista concedida ao Guia Marítimo, a professora de Relações Internacionais da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), Daniela Marques Medeiros, comentou os impactos dessa decisão. De acordo com ela, a ação leva “a uma maior margem de manobra para o comércio internacional brasileiro, que havia ficado de fora dessa negociação que englobava 40% da economia mundial”. Mas alerta que isto não significa que irá aumentar a relação comercial especificamente com EUA. “Acredita-se que o Brasil continuará distante do radar norte-americano nos próximos anos”.

Leia a entrevista na íntegra:

Sobre a saída dos EUA do TPP, quais os benefícios para o Brasil?

A não efetivação do TPP pode gerar espaço para que o Mercosul negocie acordos para maior participação no comércio internacional. Países como México, Chile e Peru (dentro dos quais a assinatura do acordo não era consenso) também buscarão acordos bilaterais.

Os possíveis benefícios dessa saída do TPP consistem, portanto, em maior margem de manobra para o comércio internacional brasileiro, que havia ficado de fora dessa negociação que englobava 40% da economia mundial. Sabemos que o Brasil tem tomado medidas para abrir seu comércio internacional como estratégia para fazer frente à crise que assola o país. Todavia, isto não significa que irá aumentar a relação comercial especificamente com EUA, país que tende a aumentar os acordos bilaterais. Acredita-se que o Brasil continuará distante do radar norte-americano nos próximos anos. Depende do Brasil/ Mercosul aproveitar as oportunidades de negociação com outros países que não poderão mais contar com o acordo.

Qual o impacto do governo Trump na economia do Brasil?

Eu não afirmaria que o cenário é positivo. As medidas adotadas por Trump para recuperar a economia norte-americana nos oferecem, de antemão, três possíveis cenários em prejuízo para o Brasil: o aumento do protecionismo no comércio dos EUA (fechamento comercial), o possível aumento da taxa de juros do Banco Central como ocorreu nos anos 80, o que pode afastar investidores, e a possível taxação de produtos chineses, o que levaria a China a diminuir sua importação de commodities, afetando diretamente a economia brasileira.

MADE IN AMERICA

Como essa saída pode afetar o comércio mundial?

De uma maneira mais ampla, os EUA de Trump dão o tom de um comércio mais protecionista e pautado em alguns acordos bilaterais. Considerando seu peso econômico e comercial, podemos nos deparar com uma queda no comércio global, o qual já se encontra em retração.

Historicamente já tivemos outras ações marcantes quando os EUA se recusaram a fazer parte da Organização Internacional do Comércio criada pela Carta de Havana, em 1947. Em seu lugar estruturou-se o GATT, acordo por meio do qual se desenvolveu o comércio mundial até a criação da OMC em 1995. Pode ser que o comércio mundial se reorganize por meio de uma liderança Chinesa ou defina uma outra estratégia para sua recuperação frente à postura protecionista norte americana.

O fato é que na época do GATT, os EUA era o grande líder do acordo. Agora, fica difícil afirmar que o mesmo aconteceria com Trump. O contexto era outro e não estamos falando do comércio mundial, mas de um bloco regional específico, mas que, claro, afeta o todo.

Qual o impacto para a China?

Considerando o TPP, os analistas afirmam que o impacto para China pode ser positivo especialmente por afetar a confiança dos países asiáticos nos EUA. A China também negocia um acordo com diversos países na região que pode ampliar a participação comercial chinesa. Se pensarmos nas intenções de Trump para a China, sabemos que ele tem como interesse diminuir as importações Chineses nos EUA, o que pode afetar negativamente o Brasil.

Quais as expectativas para o mercado depois dessa notícia?

Depende do mercado. Se falarmos do mercado financeiro, das bolsas asiáticas especificamente, a primeira reação não foi tão intensa. Houve leves quedas, mas algumas até fecharam com ligeiras altas. As bolsas nos EUA tiveram uma pequena queda. Apesar da reação positiva do mercado logo após a posse, se for confirmada a postura protecionista do governo norte-americano, certamente sentiremos o impacto negativo no mercado financeiro.

O que o recém presidente eleito, fará com essa “herança” econômica e social deixada pelo seu antecessor?

De antemão, o presidente recém empossado já tomou medidas para fazer frente ao Obamacare e retirou-se do TPP. Essas duas medidas já denotam a postura conservadora e tendenciosa a afastar a influência social deixada por Obama.

A Reforma do Setor de Saúde foi um dos grandes feitos do antecessor. Em termos sociais, um dos grandes desafios será cumprir as promessas de campanha em relação aos imigrantes ilegais, especialmente latino. Trump também se mostra conservador em assuntos relacionados a gênero e inclusão.

Você acredita que a ideia de acordos bilaterais com alguns dos países para levar as indústrias aos Estados Unidos e, assim, gerar mais empregos, pode ser o caminho?

Poderia, mas não é efetivamente o que Trump vai aplicar. Os EUA voltar-se-ão para si. Ele vai agir no sentido de proteger a indústria local fazendo frente ao México e à China, dentre outros. Apesar de falar em acordos bilaterais, receio que os EUA voltarão a praticar um isolacionismo, o que é preocupante para o mercado internacional e a globalização como um todo.

Reformular o acordo do NAFTA pode reduzir o déficit do país?

Certamente uma das próximas medidas tomadas por Trump será a pressão em relação ao México e ao Canadá para revisar o acordo Nafta. A ideia é tornar os termos do acordo também favoráveis aos EUA, segundo o presidente. Essas atitudes fazem parte de um conjunto de medidas que juntas são o plano de Trump para cumprir sua promessa de campanha de reativar a indústria americana e barrar a ida de fábricas para o país do sul. A renegociação do Nafta é apenas uma frente dessa estratégia. É preciso lembrar que os republicanos com maioria no congresso apoiam o livre-comércio. Além disso, México e Canadá são importantes parceiros comerciais dos EUA. Não será uma negociação fácil.

 

Fonte: Guia Marítimo – Kamila Donato 25/01/2017 23:55

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Rodoanel que vai ligar aeroporto ao Porto de Santos deverá ser entregue em 18 meses

Infraestrutura

Rodoanel que vai ligar aeroporto ao Porto de Santos deverá ser entregue em 18 meses
 
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) disse nesta segunda-feira (21), na abertura do Summit Agronegócio Brasil 2016, que o Rodoanel Metropolitano, que permitirá ligar o aeroporto de Guarulhos ao Porto de Santos, deve ser entregue em 18 meses.
 
“Estamos tirando um gargalo tendo em vista que São Paulo é o principal exportador nacional”, disse Alckmin.
 
O governador destacou, ainda, que o agronegócio brasileiro “vai bem, mas ainda tem grandes desafios e um bom potencial para crescer.” Segundo Alckmin, isso será possível graças ao novo patamar de câmbio, favorável as exportações nacionais. Para o governador, dois segmentos de destaque neste ano são os de carnes e de açúcar, cujos produtos têm preços em alta no momento. Alckmin avalia que o agronegócio vive um bom momento, “com boa perspectiva de crescimento, não apenas pela questão cambial mas também pela competitividade do setor”.

“Fonte: Transvias - www.transvias.com.br” – 29/11/2016

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A construção e os novos caminhos para a logística

Construção civil e eletrônicos serão cruciais para o setor de logística nos próximos 10 anos

construcao

Apesar de 2015 ter ficado marcado como o ano em que as coisas ficaram bem mais complicadas para as empresas globais de serviços logísticos, a especialista em projeções industriais do Euromonitor, Kristina Balciauskaite, acredita que alguns setores ainda poderão trazer a recuperação para o segmento.

“2015 foi difícil para as empresas de logística, diante do declínio global de 5%. Liderando a queda dos mercados, vimos os setores de varejo e atacado apresentarem resultados insatisfatórios, assim como a indústria de manufatura. Entretanto, a aceleração das economias asiáticas e do Pacífico, assim como a recuperação industrial da Europa Ocidental devem colaborar para que o setor de logística reverta essa situação nos próximos anos”, afirmou a especialista, em parecer divulgado pelo Instituto Internacional Euromonitor.

As quedas não pararam por aí. Segmentadas por região do globo, a indústria atingiu retrações recorde, como os 13% na Europa Ocidental e os 21% na Europa Oriental, com muito poucas perspectivas de recuperação para a indústria dirigida às vendas de atacado ou varejo. No Brasil, a indústria também teve um ano difícil: enquanto o PIB do país caiu 3,8%, a indústria despencou quase o dobro, segundo o IBGE: 6,2%. “No entanto, acreditamos de fato que as coisas podem melhorar a partir da recuperação das economias do Pacífico”, afirma Balciauskaite, referindo-se especialmente à China, Índia e Indonésia.

Ela aponta dois principais setores como cruciais para o segmento de logística: a manufatura (tanto o atacado quanto o varejo) e a construção, cada um dos quais representando cerca de 15% do faturamento dessa atividade. Enquanto a indústria manufatureira ainda deve continuar caindo, por uma série de fatores, que incluem a ascensão do e-commerce, a regionalização da produção, cadeias de suprimento cada vez mais complexas e a cultura dos grandes descontos, a construção tem um panorama bem melhor.

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Kristina Balciauskaite estima que, com o crescimento de algumas das economias asiáticas, nos próximos anos, a construção deve crescer cerca de 7%, notadamente na China, Índia e Indonésia, e isso significa boas perspectivas para o segmento de logística, embora, com o aumento da urbanização, as operações tendam a ficar mais complexas.

Como exemplo, ela cita as indústrias de revestimentos, cerâmicas, pedras, metais não ferrosos e têxteis, que, em conjunto com o também crescente setor de eletrônicos, devem garantir ao setor de logística um crescimento de cerca de 9% nos próximos 10 anos.

Assim, a pesquisadora conclui: “apesar da previsão de que as empresas de logística devam continuar a sofrer os impactos da contínua diminuição da produção industrial, a construção e os eletrônicos devem ser os principais motores do setor de logística nos próximos 10 anos, garantindo a retomada do crescimento da atividade”.

Fonte: Guia Marítimo – 15/11/2016

 

 

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Brasil se mantém em rota para retomada do crescimento”, afirma Maersk Line

Companhia ainda estima crescimento de 12% a 18% nas exportações em 2016 com Olimpíadas

Brasil se mantem na rota para retomada do crescimento

Enxergando um real estímulo para as exportações com recuperação brasileira no horizonte a gigante dinamarquesa Maersk Line acredita que a maior economia da América Latina passará pelos Jogos Olímpicos em um momento em que as perspectivas para o comércio internacional do país está em rota de melhoria. A previsão é que as exportações brasileiras por containers cheguem a 18%, com uma queda estimada nas importações da ordem de 25%.

“A moeda brasileira deve ser a força condutora da retomada do crescimento brasileiro em 2016, ofuscando qualquer potencial impacto positivo das Olimpíadas. Estamos esperando um resultado muito diferente em relação ao que tivemos em 2014, quando o comércio foi estimulado pela Copa do Mundo no primeiro semestre”, afirma o Diretor de Trade e Marketing para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai da Maersk Line, João Momesso.

De acordo com ele, os jogos ajudarão a melhorar a confiança, e destaca: “Quando olhamos para o prospecto de 2016 até aqui, será o Real o principal ator da balança comercial, impulsionando as exportações”.

O contraste fica para as importações que, de acordo com dados da Datamar para a companhia caíram significativamente este ano, com a retração no consumo devido à recessão. “Mas, com a melhora nos humores, as importações tendem a melhorar”, aponta.

Em janeiro, as importações estavam negativas em 31% na comparação com o ano anterior, contra uma redução de 15% em maio. Nos meses que precederam a Copa do Mundo de 2014, as importações alcançaram uma alta de 21% em março na comparação com 2013, com as exportações 6% maiores em abril de 2014, mas com declínio de 4% em maio daquele ano.

Para a indústria marítima brasileira, a consultoria aponta forte contribuição do real ajudando as exportações a atingir crescimento de dois dígitos entre janeiro e maio. O resultado? O país se tornou uma economia majoritariamente exportadora.

”As empresas estão focadas na retomada dos negócios sob a nova administração federal e é esta melhora na confiança que nos estimula a continuar revendo nossos modelos internos em relação às exportações e importações para um cenário de recuperação mais acelerada se comparada ao que havíamos antecipado no início do ano”, completa.

Com perspectivas positivas, Momesso diz que o cenário vai melhorando na medida em que cresce a confiança das empresas e dos consumidores. “Mas teremos uma ideia muito melhor sobre a demanda interna em setembro, quando o varejo tiver embarcado seus pedidos para o Natal, o que funcionará como um indicador poderoso e bastante real do sentimento para 2017”, finaliza.

Kamila Donato – Guia Marítimo – 04/08/2016

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Saída do Reino Unido e os impactos sobre o Brasil

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Advogada avalia as expectativas do comércio exterior após o Brexit

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O Plano Nacional de Exportações lançado em 2015 pelo governo Federal Brasileiro tinha como alvo as exportações para a União Europeia. O foco seria buscar o crescimento através de medidas com iniciativa na promoção e facilitação do comércio, algo que, com a saída do Reino Unido do bloco, muda algumas expectativas quanto aos impactos sobre o novo plano Brasileiro. A advogada Leatrice Mendonça de Bez O. Gomes avalia os impactos da votação para o comércio exterior brasileiro, considerando o cenário atual dos programas governamentais, situação econômica e política do País.

Os dados do comércio exterior, somados a uma série de fatores, tais como indicadores positivos da inflação melhoraram a expectativa dos empresários. Porém a volatilidade da moeda, o cenário político e a conjuntura internacional sustentam ainda a incerteza, caracterizando a instabilidade e insegurança negocial.

Na busca de reestruturar a economia, o governo brasileiro aposta na exportação para alavancar o crescimento, no entanto ainda necessita de medidas importantes, tais como melhorar a infraestrutura portuária e investimento na produtividade e inovação.

A construção naval para a produção de petróleo, por exemplo, representa o maior volume de faturamento entre os principais estaleiros internacionais e, no Brasil é o segmento de mercado com maior volume de encomendas. Ocorre que o governo federal fez uso de programas específicos de renovação e modernização da frota de embarcações para fomentar o crescimento dos estaleiros, mas o impacto da crise econômica internacional associado as investigações de desvios de recursos da Petrobras atingiu toda a cadeia produtiva – e principalmente os trabalhadores dos estaleiros por todo país. E, no entanto, ainda que existam inúmeros entraves no segmento, ele continua sendo a representação de maior expectativa de crescimento.

O Plano Nacional de Exportações anunciado em 2015 incorpora medidas para expandir a atividade, como forma de amenizar a crise insculpida no Brasil. Tanto a exportação quanto a importação tiveram queda no ano de 2015 comparado a 2014. A queda dos preços vem se mostrando particularmente severa no caso de nossas três principais commodities: o minério de ferro (-48%), o petróleo bruto (-55%) e o complexo soja (-18%).

De fato, não há como recuperar a economia do país sem pensar no comércio exterior como estratégia para que investidores endossem no mesmo sentido.

O Plano Nacional de Exportações 2015-2018 integra a política comercial brasileira, com vistas a estimular a retomada do crescimento econômico, a diversificação e a agregação de valor e de intensidade tecnológica nas exportações brasileiras. São medidas planejadas para curto, médio e longos prazos, tendo como objetivo aumentar as exportações com a inserção de empresas nas mais diversificadas áreas, como ponto de partida para retomada do crescimento.

Para facilitar o comércio internacional, a ideia foi lançar um Portal Único de Comércio Exterior, eliminar o papel nos controles administrativo e aduaneiro, redesenhar todos os processos de exportação e importação, além de reduzir os prazos de exportação de 13 para oito dias e de importação de 17 para dez dias. Outro ponto avaliado como fundamental para essa missão é a necessidade de obtenção do reconhecimento mútuo do Operador Econômico Autorizado (OEA) com outros países.

O Plano Nacional de Exportações também reconhece o papel relevante das importações à luz do cenário atual de fragmentação da produção mundial (o que se convencionou chamar de “cadeias de valor”) e da necessidade de acesso a insumos estratégicos essenciais para a competitividade da produção e da exportação dos bens e dos serviços brasileiros.

Os créditos para exportação com seguros e garantias, facilitação de negócios e simplificação nos trâmites de vendas externas estão entre os pilares do plano de exportação nacional. Há cerca de 30 países-alvo no plano, sem prejuízo do Mercosul, o que se traduz importantes ações de promoção da imagem do Brasil no exterior.

Entretanto, com todos os esforços dispendidos, o Brasil ainda é um exportador de matéria-prima e importador de produtos de maior valor agregado. Além disso, as exportações brasileiras não refletem o tamanho da nossa economia. Enquanto somos a 9ª economia mundial, o Brasil ocupava a 25ª posição em 2015. As vendas internacionais brasileiras representam menos de 2% das exportações do planeta, o que justificou as medidas do PNE.

A saída do Reino Unido da União Europeia, que ainda pode levar até dois anos para ser concluída e ainda não foi considerada definitiva, vai gerar de imediato algumas mudanças positivas e outras negativas no mercado internacional, principalmente no que tange à Europa, não obstante respaldando indiretamente no Brasil.

Destarte, o Reino Unido integra os 30 países-alvo do plano nacional de exportações anunciado em 2015 (em 2014, havia 1.738 empresas brasileiras exportando para a região ), de forma que é inconteste a sua importância para o Brasil.

No que tange à exportação, o Brexit não deverá ter impacto imediato para o Brasil, haja vista que o Reino Unido segue inúmeras legislações que não poderão ser desfeitas sem respaldos e muito diálogo, até mesmo para sua própria segurança econômica interna.

Com a crise econômica e política, o Brasil acaba por não ocupar uma posição de destaque na visão estratégica do Reino Unido. Entretanto, embora os investimentos não sejam direcionados aos países em que há incertezas políticas, não os freia de modo abrangente, principalmente pelas novas medidas adotadas pelo governo federal e também porque o Brasil está muito barato.

A decisão pela retirada de campo da União Europeia derrubou mercados tão logo foi sua publicação. As ações de grandes exportadores brasileiros de proteína animal mostraram perdas ao longo da sessão da bolsa de valores.

Todavia, o Reino Unido permanece na Organização Mundial do Comércio, abandonando apenas a vinculação aos ditames da União Européia, o que poderá estreitar as relações com o Brasil se levarmos em consideração a livre negociação direta entre os dois países.

Sendo assim, importante frisar expectativas quanto aos impactos negativos e positivos para o Brasil com a retirada de campo do Reino Unido da União Européia.

Impactos Negativos

- O Reino Unido contribui para o bloco mais do que recebe, porém ao se isolar, essa conta talvez não vá fechar: será muito mais difícil se ter uma receita sem o livre trânsito de mercadorias e pessoas. Esse ganho que o Reino Unido tinha com a União Europeia vai cair muito, segundo Paulo Figueiredo.

- O desembarque do Reino Unido gera incertezas e levanta dúvidas sobre o projeto europeu, sobretudo para os que tem relação econômica forte com a UE. Isso pode pesar na crise econômica brasileira, pois a negociação com a UE deveria acelerar a recuperação econômica.

- George Soros acrescenta no artigo em The Guardian que a libra perderia no mínimo 15% de seu valor frente ao dólar. Em uma situação como essa, o investidor corre para o porto seguro, que no caso seria o dólar e o iene. O investidor brasileiro que estiver posicionado em dólar vai ganhar no curto prazo, mas após o choque acredita-se que haveria uma acomodação.

Impactos Positivos

- O Brasil pode ganhar a possibilidade de aumentar seu poder de barganha. Em vez de negociar com um bloco, o país deve estabelecer uma relação direta com o Reino Unido e firmar acordos favoráveis.

Embora o Plano Nacional de Exportações dedique esforços para fomentar o crescimento, como em toda e qualquer situação negocial, devemos aguardar as próximas manifestações dos governos para que se possam analisar concretamente os impactos, porém já se pode concluir que o Brexit pode nos dar uma alavancada num ponto, mas derrubar de outro, devendo para tanto o governo ter muita cautela ao agir ao mesmo passo da garantia sem a perda de oportunidades.

Leatrice Mendonça Bez de O. Gomes é advogada, com formação em Gestão de Operações Portuárias. Realiza assessoria de informações jurídicas Procuradoria Geral do Estado de SC, é membro da Comissão de Direito Portuário e Marítimo da OAB/SC e já presidiu a Comissão de Estudos Jurídicos e Legislativos da OAB/SC.

 

Notas e Referências

ABIMCI – Disponível em: http://www.abimci.com.br/plano-nacional-de-exportacoes-e-lancando-em-brasilia/

FIGUEIREDO, PAULO. Diretor de Operações da FN Capital. Disponível em: http://g1.globo.com/economia

MARKWALD, Ricardo. Diretor Geral da Funcex. O Cenário Atual e o Plano Nacional de Exportações.

PAVESE, CAROLINA. Doutora em Relações Internacionais da PUC-MG com especialidade na relação Brasil-União Europeia. Disponível em: www.epocanegocios.globo.com/Economia

PLANO NACIONAL DE EXPORTAÇÃO. Disponível em: http://www.desenvolvimento.gov.br

STUENKEL,OLIVER.Disponível em:

www.epocanegocios.globo.com/Economia

Bibliografia Consultada

REVISTA INERMARKET – Edição nº 77, 2016.

ROJAS, PABLO. Introdução a Logística Portuária e Noções de Comércio Exterior. Editora Bookman, 2014.

JUNIOR, OSVALDO AGRIPINO DE CASTRO. Direito Portuário e a Nova Regulamentação. Editora Aduaneiras, 2015.

1. MARKWALD, Ricardo. Diretor Geral da Funcex. O Cenário Atual e o Plano Nacional de Exportações.

2. Plano Nacional de Exportações 2015-2018. Governo Federal.

3. ABIMCI – Disponível em: http://www.abimci.com.br/plano-nacional-de-exportacoes-e-lancando-em-brasilia/

4. Plano Nacional de Exportações 2015-2018. Governo Federal.

5. Plano Nacional de Exportações 2015-2018. Governo Federal.

6. FIGUEIREDO, PAULO. Diretor de Operações da FN Capital.

7. STUENKEL, OLIVER. Coordenador do MBA de Relações Internacionais

8. SOROS, GEORGE. The Guardian.

9. RUGIK, JEFFERSON. CEO da corretora Correparti, especializada em operações de comércio exterior

10. AVESE, CAROLINA. Doutora em Relações Internacionais da PUC-MG com especialidade na relação Brasil-União Europeia.

fonte: Guia Marítimo – 05/08/2016

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Impacto do Brexit no Brasil e no mundo

Enquanto divórcio freia a economia mundial, no Brasil impactos são neutros

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O assunto “Brexit” vem mexendo com o cenário mundial como um todo. A vitória da “saída” do Reino Unido da União Europeia (UE) poderá influenciar negativamente a já “moderada” retomada econômica da Europa, além de frear a economia mundial, como apontou a recente projeção do FMI (Fundo Monetário Nacional) para os próximos dois anos.

Um estudo publicado pela Comissão Europeia revela que, “na sequência do referendo, o crescimento (econômico) na zona euro deve abrandar para os 1,5% a 1,6% em 2016 e 1,3% a 1,5% em 2017″. Sublinhando que este primeiro estudo, levado a cabo pela Direção-Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros, na sequência do referendo britânico “não é uma previsão económica”, a Comissão Europeia – que só voltará a atualizar as suas previsões em novembro explica que, para ilustrar os potenciais efeitos do ‘Brexit’, analisou dois cenários, um mais “moderado” e outro mais “grave”, e ambos apontam para um recuo do crescimento econômico na Europa.

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De acordo com o documento, a vitória da “saída” já levou a um aumento da incerteza, da volatilidade dos mercados financeiros e movimentos abruptos das taxas de juro, podendo um “período prolongado de incerteza influenciar a retoma modesta da economia europeia” ao fazer recuar o investimento e o consumo. Já de acordo com as projeções do FMI, a expectativa de crescimento global é de 3,1% em 2016 e de 3,4% em 2017, um recuo de 0,1 ponto percentual, para cada ano, em relação às projeções anteriores, segundo o relatório World Economic Outlook.

Segundo o Fundo, apesar de melhoras no Japão e na Europa no início de 2016, “o resultado do referendo no Reino Unido, que surpreendeu os mercados financeiros globais, implica a materialização de um risco descendente importante para a economia mundial”

A nova primeira-ministra britânica, Theresa May, chega a Berlim em sua primeira visita oficial para criar boas relações com a chanceler alemã, Ângela Merkel. O objetivo é traçar as linhas de batalha do “Brexit”. São elas que vão definir os termos da saída do Reino Unido da UE.

Segundo o Tratado de Lisboa, a negociação da saída do Reino Unido é da responsabilidade do Conselho Europeu, que agrega os líderes dos outros 27 Estados-membros. Porém, o papel de Merkel é crucial. E ambas concordam com uma coisa: “‘Brexit’ significa ‘Brexit’”. A chanceler quer manter os laços com o Reino Unido, o quinto maior parceiro de negócios da Alemanha, mas a sua maior prioridade é manter unidos os restantes países da UE.

Brasil

O embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis, assegurou que a saída do país do bloco da União Europeia abre perspectivas de ampliação de acordos comerciais com o Brasil, inclusive na área agrícola. De acordo com ele, o Brasil é um dos países com grande interesse em reforçar os laços comerciais. Mas afirma: “Esse terá de ser passo a passo. Há vários países pedindo para fechar acordos conosco, mas temos de priorizar, pensar. É claro que o Brasil é muito importante para nós. Espero que nos próximos dez anos possamos até aumentar nossas relações”.

Uma pesquisa realizada pela Amcham (Câmara Americana de Comércio), que ouviu diversos empresários brasileiros apontou ainda que o Impacto do Brexit será pontual/neutra ou indiferente na visão de 64% dos empresários. Para 43% deles, o divórcio na Europa causará uma instabilidade apenas a curto prazo, seguida de manutenção do cenário atual. Outros 21% informaram acreditar que o processo terá baixo efeitos e impactos significativos nas operações brasileiras das empresas ou na economia.

Sobre possíveis efeitos negativos, mesmo que pontuais, os executivos avaliam com mais força três cenários: cambial, com incertezas e maior volatilidade das moedas (31%); imigratórios ou alfandegários, com novas regras para entradas de pessoas ou produtos no Reino Unido (29%); e político, trazendo dificuldades nas relações com os países europeus (20%).

Analisando amplamente, a maioria (54%) dos consultados pela Amcham enxergam efeitos positivos, especialmente, quando se fala na possibilidade de um maior relacionamento comercial Brasil-Reino Unido, em virtude, de possíveis acordos individuais e abertura de novas frentes de negociação, especialmente, para a cadeia agrícola.

Uma parcela de 21% dos entrevistados enxerga também vantagens na atração de capital, com fuga do risco da Europa e investidores buscando novamente mercados emergentes como o Brasil. Sobre possíveis setores que podem/devem ser beneficiados no Brasil foram listados: agrícola (61%); financeiro (35%); indústria (31%); e serviços (30%).

Sobre o Mercosul a perspectiva é mais negativa. Para 43%, o Brexit trará maior burocratização e novos empecilhos as negociações do bloco brasileiro com os países europeus restantes. Outros 29% acreditam que serão mantidos as dificuldades e rodadas de negociações já existentes.

 

Grupo Guia Marítimo

Kamila Donato 20/07/2016 23:55

 

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Especulação e instabilidade podem gerar oportunidade de negócios

A novela “Brexit” continua, e o mercado financeiro pode ter chance de desenvolver novos parceiros comerciais

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Em encontro realizado na Amcham, em São Paulo, ontem, (06), discutiu o impacto da saída do Reino Unido da UE e os possíveis desdobramentos nas empresas, economia e acordos comerciais. Afinal: O que o “Brexit” significa para o mundo? E para o Brasil?

Na opinião de Wasim Mir, encarregado de negócios da Embaixada Britânica de Brasília (DF), a saída do Reino Unido da União Europeia pode representar um estreitamento de laços com o Brasil. “A relação entre o Reino Unido e o Brasil é muito antiga e é claro que tivemos altos e baixos ao longo da história, mas hoje temos uma colaboração mútua no âmbito da educação, principalmente na ciência. Essa parceria vai continuar”, afirmou.

Para ele o mercado financeiro passa hoje por um período de especulação e instabilidade que pode gerar oportunidade de negócios. “Esperamos que o Brexit abra a possibilidade de desenvolver novos parceiros comerciais”, completou.

Na mesma linha o presidente do Conselho Empresarial da América Latina Capítulo Brasil (CEAL) e da Kaduna Consultoria e Participações, Giannetti da Fonseca acredita que o Brasil terá mais oportunidades para acordos de livre comércio com o Reino Unido, já que ele não é mais membro da União Europeia. “Como eles certamente têm uma posição mais liberal que o bloco, o Brasil não precisaria ter cotas de carne e açúcar, poderia exportar o quanto quiser”, afirmou.

Fonseca acrescentou ainda que o Reino Unido vai deixar o Brasil exportar o quanto quiser (de carne e açúcar), pois não há concorrência desses produtos lá. “Eles são a quinta economia do mundo, têm população e volume de consumo importante. Hoje o comércio do Brasil com os ingleses é de 1,5% do total das exportações. É pouco significativo, mas a oportunidade de crescer é alta, podendo passar para 3% a 5% e vice-versa”.

Para o Brasil, os pontos fortes do comércio bilateral com o Reino Unido estão em segurança alimentar e meio ambiente. “Em relação a esses dois pontos, somos dominantes no mundo. Podemos receber capital britânico em projetos de engenharia genética, biotecnologia e alimentos”, exemplifica o consultor.

Por outro lado, o professor de Direito e Relações Internacionais da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), Marcus Vinicius de Freitas, acredita que o Brexit é um equívoco. “O que se mostrou é uma Europa à la carte, um nacionalismo em alta e medo da globalização”, disse, ressaltando que o bloco peca pela transparência “e o futuro do bloco será definido pelas razões definidas por Alemanha e França”.

A busca de acordos bilaterais, por exemplo, já é, para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), José Augusto Fontoura Costa, uma demonstração de que a saída terá alternativas positivas para o país se estabelecer comercialmente fora da União Europeia. “Esse novo engajamento em acordos bilaterais e multilaterais é sinal de que o Reino Unido já está buscando alternativas. É bom para nós, não sei para a Inglaterra ainda, mas eles têm que resolver. A fila anda e vai andar para eles, com certeza”, disse.

Quando o assunto são os efeitos dominó na economia, a avaliação do professor de Economia do Insper e sócio da Nogami Participações, Otto Nogami, é que a brusca oscilação das moedas internacionais, principalmente da libra, e a fuga do capital estrangeiro do Reino Unido por conta do Brexit são temporários. “O Brexit dói, machuca, mas ao longo do tempo as relações são estabilizadas”, comentou.

Para o especialista, a decisão dos britânicos de votarem a favor da saída da UE é consequência da preocupação com a imigração, além da expectativa de garantir e melhorar o acesso a bens e serviços e destacar suas qualidades, como seu centro financeiro, considerado por Nogami como “o centro financeiro mais importante do mundo”.

Sobre isso, Fontoura Costa comenta ainda que “não haverá efeito dominó de saída de outros países-membros do bloco”, entretanto acha que pode haver uma desagregação do Reino Unido. “Nacionalismos britânicos acontecem com grande força. Se a Escócia fizesse um plebiscito hoje, com certeza eles sairiam, o que me parece ruim em termos históricos e mais complicado que o Brexit”, finalizou.

Fonte: Guia Marítimo
Kamila Donato 06/07/2016 23:55

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Acenda o farol!

Com o objetivo de reduzir acidentes nas estradas, nova lei que obriga o uso de faróis baixos vigora a partir de hoje

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A partir de hoje, todos os veículos que trafegam nas estradas deverão, obrigatoriamente, usar farol baixo e aceso durante o dia, prática que será fiscalizada pela Polícia Rodoviária Federal.

A nova lei 13.290/2016 teve origem em um projeto apresentado pelo deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR), e foi sancionada pelo governo interino de Michel Temer no dia 24 de maio. O novo documento altera o Código de Trânsito Brasileiro, passando a determinar que os veículos que não mantiverem faróis acesos nas rodovias estarão incorrendo em infração considerada Média, com quatro pontos na CNH e multa de R$ 85,13.

Segundo o Senador José Medeiros, relator do projeto no Senado, a medida visa aumentar a segurança nas rodovias, especialmente por reduzir o risco de colisões frontais ou atropelamentos por falta de visibilidade. O Senador Medeiros conta que foi policial rodoviário por duas décadas e que as colisões frontais e laterais são a principal causa de mortes por acidentes em rodovias com pista simples.

Nos Estados Unidos, estudos do NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration), entidade que controla a segurança nas estradas, apontam que a lei que implantou o uso dos faróis baixos no trânsito conseguiu reduzir os acidentes em 5%, e os atropelamentos, em 12%. Na Europa, o uso de faróis durante o dia passou a valer em 2011, com a venda de um kit obrigatório de iluminação diurna (Daytime Running Lights) em 14 países da comunidade. No Brasil, a prática já era recomendada desde 1998, no entanto, sem força de lei, não ganhou muita adesão.

O Ministério das Cidades, no entanto, declarou oficialmente que a lei se refere a faróis baixos ou faróis de rodagem diurna (DRL, os mesmos vendidos na Europa), não valendo, para tal, o uso de faroletes, faróis de milha ou de neblina

fonte: Guia Marítimo 07/07/2016

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Nem pra lá nem pra cá

Volumes transportados em containers no comércio entre Estados Unidos e Américas do Sul e Central mantêm equilíbrio

A situação cambial e mais os esforços em aumentar as exportações de commodities refletem-se nos volumes transportados na rota entre as Américas do Sul e do Norte. Durante o ano de 2015, o mercado de containers dos Estados Unidos (todas as costas) com destino à América do Sul (costas leste, oeste e norte) retraiu 8%, fechando o ano em 910.000 Teus, de acordo com o relatório DynaLiners.

Basicamente, três armadores dominaram o serviço: Hamburg Süd, MSC e Hapag-Lloyd, sendo que este último chegou a perder 22% de seus negócios. No final do ranking, a ZIM, que cresceu 12%, veio substituir as operações da MOL.

Na rota norte, da América do Sul para os Estados Unidos, os volumes tiveram comportamento contrário, com aumento de 6% no tráfego, que chegou a 907.000 Teus. As mesmas três companhias acima (Hamburg Süd, MSC e Hapag-Lloyd) também dominaram a rota para o norte, desta vez com uma parcela ainda maior de mercado: 71%, combinadas as operações dos três armadores. Mais uma vez, nessa direção, a Hapag-Lloyd reportou perdas significativas, enquanto a Seaboard Marine ganhou destaque, dobrando o volume de operações.

De acordo com o relatório, o mercado está praticamente em equilíbrio, sendo que a rota para o sul supera os volumes para o norte em apenas 3.000 Teus. Acompanhe os três últimos anos de operações de containers entre a América do Sul e os Estados Unidos (todas as costas):

Gráficos elaborados por Dynaliners Weekly

A análise do Dynaliners foi baseada em dados do JoC/PIERS e cobre os mercados: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. As estatísticas incluem transbordos, porém não incluem transporte interno de mercadorias, granéis e cargas militares / governamentais.

fonte: Guia Marítimo – 03/06/2016

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País vivencia momento histórico, mas o que esperar daqui para frente?

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Para executivos o momento é de mudanças e “Injeção de confiança”

A revista The Economist vem abordando os problemas vivenciados pelo Brasil desde o começo do ano. Com uma economia em queda e uma presidente susceptível de ser acusada de improbidade administrativa, como a própria publicação abordou, o Brasil, de acordo com a revista vive “o seu momento mais difícil desde o fim da ditadura”.

Mais do que isso, na quinta-feira, (12), o País assinou seu momento histórico desde que o afastamento temporário do cargo de presidente foi efetivamente concretizado, e Dilma Rousseff abriu espaço para que o seu vice, Michel Temer, assumisse a presidência interinamente. Para o The Economist, nesse caso, as melhores ideias do vice Temer não significam que ele será um presidente de sucesso. Mas para nós, o que esperar do governo Temer? Qual a opinião dos operadores do Comércio Exterior sobresite - the_economist_janeiro_1  site - the_economist  site - pitacodemia-economist2

“Digamos que houve uma injeção de confiança nesse momento, a confiança que não se tinha no passado volta agora”.  

O Guia Marítimo perguntou a alguns representantes do setor sobre os rumos da crise política com o afastamento de Dilma e as respostas foram um sopro de esperança e um respiro para o país.

“A primeira expectativa é aquela do aspecto positivo de ver a mudança de um governo que estava paralisado para um novo governo que deve se movimentar, que deve fazer com que a economia volte a crescer”, opina José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), destacando que “precisamos sair desse marasmo que estava completamente sem movimentação e passar agora a uma economia responsiva e que volte a crescer e responder”.

Com expectativas cercando o governo Temer, especialistas acreditam que a chegada do novo presidente deve representar alguma forma de alívio para o mal-estar instalado no Brasil. “A mudança de partido no poder renova as esperanças e a linha de ação política. Respeitadas as necessidades sociais, esperamos que um governo mais focado na indústria consiga trazer maior desenvolvimento para o país”, salienta a advogada especialista em comércio internacional do L.O. Baptista-SVMFA, Cynthia Kramer.

Para ela, mudanças, em geral, renovam as expectativas e são muito positivas. “Esperamos que as exportações brasileiras, não apenas do agronegócio, continuem crescendo, e que as importações de insumos também consigam crescer para abastecer a indústria local e permitir a produção a preços mais competitivos”.

Mesmo sabendo que essas mudanças não serão da noite para o dia, Castro aponta que nesse momento a decisão foi “uma injeção de confiança”, confiança essa que, segundo ele, não se tinha no passado, “mas volta agora”. “Essa confiança pode aumentar ou diminuir a depender das decisões que vierem a ser tomadas. Mas é um clima de confiança pelo menos nesse momento. Você já começa a pensar em alguma coisa para realizar e não como estávamos no passado, que você pensava no que não realizar”, destaca.

E ressalta que o que se espera agora são ações efetivas de mudanças que já estão sendo cobradas a muito tempo: “investimentos em infraestrutura, desburocratização e reformas estruturais na área previdenciária, tributária e trabalhista que espero que de fato ocorram”.

Decisões e mudanças

Com destaque para a atuação do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Kramer aponta que na pauta de Temer já há uma demanda para “enxugar a Administração Pública”. “Não sabemos ao certo se o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior será desmembrado, ou terá sua pauta fundida com o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. O que sabemos é que Temer reconhece a importância do comércio exterior e tentará dar mais peso para a CAMEX”. Por outro lado, Castro diz esperar que hajam poucas mudanças, principalmente de pessoas e elogia dizendo que “na área do MDIC as coisas estão caminhando relativamente bem”.

“A mudança de partido no poder renova as esperanças e a linha de ação política”.Cynthia Kramer, advogada especialista em comércio internacional.

E lembra: “O MDIC está desenvolvendo um projeto que é o Portal Único de Comércio Exterior, esse é um item que a gente quer que seja preservado porque ele simboliza a diminuição da burocracia, então ele não pode ser interrompido. E a previsão é que fique pronto em 2017”.

Ainda de acordo com especialista, alguns sugerem que a Camex, hoje dentro da estrutura do MDIC, passe a ser subordinada diretamente ao Presidente da República, para que as decisões atinentes ao comércio exterior possam ser emanadas com maior agilidade e coerência. “O Ministério das Relações Exteriores sob o comando de Serra provavelmente ganhará motivação na busca de acordos de comércio com outros países do mundo”, ressalta.

Apontando um superávit negativo em torno de US$ 45 bilhões a US$ 50 bilhões na balança comercial para 2016, o presidente da AEB lembra que “superávit é efeito e não causa”. Para ele medidas que possam estimular o comércio são mais do que necessárias, e a possível volta de Armando Monteiro para o ministério pode trazer, segundo ele, “uma política externa mais agressiva e principalmente sem ideologia”.

“Eu espero que no governo Temer a palavra ideologia possa ser utilizada em qualquer discurso político, não em discurso econômico, muito menos em comércio exterior. E que o Brasil passe a olhar o Mercosul não de forma ideológica como tem sido nos últimos tempos, mas, mais uma vez como aliados políticos de comercio exterior. O Brasil tem que se voltar para o mercado internacional”, finaliza.

fonte: Guia Marítimo
Kamila Donato 12/05/2016 17:05
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