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País vivencia momento histórico, mas o que esperar daqui para frente?

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Para executivos o momento é de mudanças e “Injeção de confiança”

A revista The Economist vem abordando os problemas vivenciados pelo Brasil desde o começo do ano. Com uma economia em queda e uma presidente susceptível de ser acusada de improbidade administrativa, como a própria publicação abordou, o Brasil, de acordo com a revista vive “o seu momento mais difícil desde o fim da ditadura”.

Mais do que isso, na quinta-feira, (12), o País assinou seu momento histórico desde que o afastamento temporário do cargo de presidente foi efetivamente concretizado, e Dilma Rousseff abriu espaço para que o seu vice, Michel Temer, assumisse a presidência interinamente. Para o The Economist, nesse caso, as melhores ideias do vice Temer não significam que ele será um presidente de sucesso. Mas para nós, o que esperar do governo Temer? Qual a opinião dos operadores do Comércio Exterior sobresite - the_economist_janeiro_1  site - the_economist  site - pitacodemia-economist2

“Digamos que houve uma injeção de confiança nesse momento, a confiança que não se tinha no passado volta agora”.  

O Guia Marítimo perguntou a alguns representantes do setor sobre os rumos da crise política com o afastamento de Dilma e as respostas foram um sopro de esperança e um respiro para o país.

“A primeira expectativa é aquela do aspecto positivo de ver a mudança de um governo que estava paralisado para um novo governo que deve se movimentar, que deve fazer com que a economia volte a crescer”, opina José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), destacando que “precisamos sair desse marasmo que estava completamente sem movimentação e passar agora a uma economia responsiva e que volte a crescer e responder”.

Com expectativas cercando o governo Temer, especialistas acreditam que a chegada do novo presidente deve representar alguma forma de alívio para o mal-estar instalado no Brasil. “A mudança de partido no poder renova as esperanças e a linha de ação política. Respeitadas as necessidades sociais, esperamos que um governo mais focado na indústria consiga trazer maior desenvolvimento para o país”, salienta a advogada especialista em comércio internacional do L.O. Baptista-SVMFA, Cynthia Kramer.

Para ela, mudanças, em geral, renovam as expectativas e são muito positivas. “Esperamos que as exportações brasileiras, não apenas do agronegócio, continuem crescendo, e que as importações de insumos também consigam crescer para abastecer a indústria local e permitir a produção a preços mais competitivos”.

Mesmo sabendo que essas mudanças não serão da noite para o dia, Castro aponta que nesse momento a decisão foi “uma injeção de confiança”, confiança essa que, segundo ele, não se tinha no passado, “mas volta agora”. “Essa confiança pode aumentar ou diminuir a depender das decisões que vierem a ser tomadas. Mas é um clima de confiança pelo menos nesse momento. Você já começa a pensar em alguma coisa para realizar e não como estávamos no passado, que você pensava no que não realizar”, destaca.

E ressalta que o que se espera agora são ações efetivas de mudanças que já estão sendo cobradas a muito tempo: “investimentos em infraestrutura, desburocratização e reformas estruturais na área previdenciária, tributária e trabalhista que espero que de fato ocorram”.

Decisões e mudanças

Com destaque para a atuação do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Kramer aponta que na pauta de Temer já há uma demanda para “enxugar a Administração Pública”. “Não sabemos ao certo se o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior será desmembrado, ou terá sua pauta fundida com o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. O que sabemos é que Temer reconhece a importância do comércio exterior e tentará dar mais peso para a CAMEX”. Por outro lado, Castro diz esperar que hajam poucas mudanças, principalmente de pessoas e elogia dizendo que “na área do MDIC as coisas estão caminhando relativamente bem”.

“A mudança de partido no poder renova as esperanças e a linha de ação política”.Cynthia Kramer, advogada especialista em comércio internacional.

E lembra: “O MDIC está desenvolvendo um projeto que é o Portal Único de Comércio Exterior, esse é um item que a gente quer que seja preservado porque ele simboliza a diminuição da burocracia, então ele não pode ser interrompido. E a previsão é que fique pronto em 2017”.

Ainda de acordo com especialista, alguns sugerem que a Camex, hoje dentro da estrutura do MDIC, passe a ser subordinada diretamente ao Presidente da República, para que as decisões atinentes ao comércio exterior possam ser emanadas com maior agilidade e coerência. “O Ministério das Relações Exteriores sob o comando de Serra provavelmente ganhará motivação na busca de acordos de comércio com outros países do mundo”, ressalta.

Apontando um superávit negativo em torno de US$ 45 bilhões a US$ 50 bilhões na balança comercial para 2016, o presidente da AEB lembra que “superávit é efeito e não causa”. Para ele medidas que possam estimular o comércio são mais do que necessárias, e a possível volta de Armando Monteiro para o ministério pode trazer, segundo ele, “uma política externa mais agressiva e principalmente sem ideologia”.

“Eu espero que no governo Temer a palavra ideologia possa ser utilizada em qualquer discurso político, não em discurso econômico, muito menos em comércio exterior. E que o Brasil passe a olhar o Mercosul não de forma ideológica como tem sido nos últimos tempos, mas, mais uma vez como aliados políticos de comercio exterior. O Brasil tem que se voltar para o mercado internacional”, finaliza.

fonte: Guia Marítimo
Kamila Donato 12/05/2016 17:05
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